Qual é o arquétipo da sua concorrência — e por que você deveria saber disso

Quando se fala em diferenciar uma marca, a conversa geralmente gira em torno de produto, preço ou canais. Mas existe um nível mais profundo (e muitas vezes negligenciado) de diferenciação: o simbólico. Saber qual é o arquétipo dominante da sua concorrência pode ser a chave para ocupar um espaço emocional ainda livre no coração do consumidor.

Os arquétipos ajudam a mapear as energias que estão em jogo em um mercado. Eles revelam qual personalidade está sendo expressa por cada marca — mesmo quando essa expressão é inconsciente. E ao entender esse mapa, sua empresa pode escolher com mais precisão qual papel deseja assumir.

Imagine um segmento onde todas as marcas tentam ser o Herói: disciplinadas, fortes, orientadas a resultados. Se você surge com a energia do Cuidador, acolhedora e sensível, sua marca imediatamente se destaca — não apenas pela proposta, mas pelo sentimento que evoca.

Por exemplo, academias de ginástica costumam adotar o arquétipo do Herói, com foco em disciplina e superação. Nesse mesmo setor, uma abordagem baseada no Cuidador ou no Explorador poderia criar um espaço mais acolhedor ou aventureiro. No mercado de cosméticos naturais, o Cuidador é dominante, mas marcas que exploram o Mágico (com foco em transformação) ou o Sábio (com foco em conhecimento) podem trazer frescor. Cafés e padarias muitas vezes assumem o arquétipo do Prestativo, mas há potencial em abordagens mais criativas, como o Criador, ou voltadas à experiência, como o Explorador. Em tecnologia e startups SaaS, o Sábio é comum, mas arquétipos como o Inocente (comunicação leve) ou o Bobo da Corte (abordagem divertida) podem abrir caminhos inusitados.

Esse tipo de análise não é sobre “copiar” ou “fugir” de um arquétipo, mas sobre entender quais energias estão saturadas e quais estão sub-representadas. Mapear o território simbólico do seu segmento ajuda a encontrar espaços inexplorados — e é uma das primeiras coisas que fazemos em projetos de branding estratégico.

Essa escolha afeta tudo: da linguagem ao design, do tom de voz ao tipo de experiência oferecida. E quando a marca expressa uma energia diferente da concorrência, ela automaticamente cria uma nova referência para o consumidor.

Margaret Hartwell, em Archetypes in Branding, diz que “os arquétipos ajudam as marcas a se posicionarem com mais emoção do que razão, criando conexões intuitivas e profundas”. Em um mercado lotado de opções semelhantes, esse tipo de conexão pode ser a diferença entre ser escolhido ou ignorado.

Então, da próxima vez que olhar para sua concorrência, não olhe apenas para o preço ou design. Observe qual é a “energia” que cada marca está emitindo. Porque talvez o espaço mais estratégico esteja onde ainda ninguém teve coragem de ocupar.